Kenner
Conceito/Direção Criativa
Marcelo "M12"
Campanha de lançamento nova sandália Kenner + M12
Marcelo "M12"
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Kenner
Conceito/Direção Criativa
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Conceito/Direção Criativa/Arte/Tipografia - Render 3D: Plano Z
Campanha Kivah Full Force
Render 3D: Plano Z
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Conceito/Direção Criativa/Arte/Tipografia - Render 3D: Plano Z
Campanha Kivah Full Force
Render 3D: Plano Z
MARCELO RANGEL
Marcelo Rangel fotografa candomblé e esta é a questão: como se fotografa o que não está lá. Porque não se trata de rendas brancas, atabaques, galinhas mortas e colares coloridos.
Há a questão da representação do divino, que na arte de origem européia vem desde a Renascença,
e que nunca ficou resolvida. Pois se a linha do horizonte - e a perspectiva que somos capazes de traçar matematicamente a partir dessa linha - tornou o mundo em uma aparência sujeita a leis racionais, algo ficou do lado de fora, no não-representável. Poderia então ser isso. Marcelo Rangel fotografa candomblé de forma não-realista porque seu assunto é o divino.
E, sim, ele fala de um divino na sua falta de foco. O borrão do movimento mostra que a cena quer ser apreendida na sua totalidade, em um pensamento, portanto, que inclui a noção de totalidade, ainda
que em movimento. Este mesmo aspecto está presente nas obras em dípticos e trípticos, que mostram momentos diferentes de uma mesma cena, a qual, deduz-se, não estaria completa se não fosse vista “toda”. Também há um divino nos reflexos de luz, esse simbolismo de fundo platônico presente em todas as religiões, que fala da dualidade entre uma luz “verdadeira” e sua cópia imperfeita. E também há a presença do divino nas faces cobertas ou ausentes dos personagens fotografados. Eles compõem uma humanidade de indivíduos não-identificáveis.
Rangel se inscreveria, então, na tradição dos que se insurgiram contra Holbein e seu mecanicismo
ou no maneirismo que Panofsky traçou desde o século XVI. Mas as 45 fotos da exposição montada
na Pinacoteca de São Paulo para homenagear o Dia da Consciência Negra trazem nelas uma característica sutil, que aparta Rangel dessa linha européia de pensamento.
O divino de Rangel não está do lado de fora do mundo. Pelo contrário, está profundamente ligado
à terra. O centro das fotos, seu assunto principal, são pés. Descalços, estão ligados à terra, como terra são os tons usados nas fotos em cores: ocres, sienas, uns vermelhos, e o branco manchado. E a linha de horizonte das fotos está na altura do rés do chão. Os olhos de quem vê estão bem próximos à terra.
O divino de Rangel não está fora do mundo, é o mundo. Não é para ver essas fotos a partir de olhos europeus. A homenagem à cultura negra não está no seu assunto, o candomblé, mas na maneira como este assunto foi tratado: de dentro.
Elvira Vigna
Escritora e Crítica de Arte





